O bairro Cariru, em Ipatinga, abriga um exemplo inspirador de mobilização comunitária: o Projeto Conexão Solidária, que atende atualmente 19 mulheres da terceira idade e funciona na sede da Associação Luciano Mendes de Almeida (ALMA), às terças e quintas-feiras. Criado por Dona Graça, e hoje coordenado em conjunto com Isabel, arte-terapeuta, e Simone, voluntária com mais de 30 anos de experiência, o projeto alia acolhimento social, arte terapia e atividades físicas, oferecendo às participantes novas formas de convivência e qualidade de vida.
Com capacidade para 20 integrantes — uma vaga está disponível após recente desistência —, o projeto já planeja expandir suas atividades para todos os dias da semana. A busca por um espaço físico maior também está entre as prioridades, especialmente para melhor acomodar as oficinas de dança e exercícios coordenados pela voluntária Lucy, especialista em gerontoativação que são exercícios para a memória através da dança sênior.
Conheça algumas das participantes do projeto.





Graça Paraná, Isabel, Simone, Edna e Cristina





Dona Isabel, Mariuza, Lucy, Roseli e Nilza




Leila, Vera, Célia e Elici
Histórias de superação
As participantes refletem a diversidade da comunidade local. Cristina, aposentada e viúva, encontrou no grupo uma forma de vencer a solidão após se mudar de Montes Claros para Ipatinga. Mariuza, moradora da Cidade Nobre, reconstrói sua vida depois de sofrer violência doméstica, agora amparada e incentivada pelas novas amigas. A própria mãe da coordenadora, Isabel, é beneficiária direta das atividades, o que motivou a filha a se engajar na criação do projeto. Já Nilza, veterana em iniciativas sociais, simboliza a continuidade do engajamento comunitário.
Arte, saúde e autoestima
As oficinas desenvolvidas pelo Conexão Solidária unem criatividade e sustentabilidade. Entre as atividades estão a transformação de caixas de leite em porta-lápis, a confecção de carimbos artesanais com tampinhas e EVA, além de técnicas de pintura e colagem. Também são promovidas reflexões temáticas sobre autoestima, autonomia e envelhecimento ativo.
Na parte física, as aulas de dança sênior estimulam memória e coordenação motora com músicas da época das participantes. O programa é adaptado, permitindo que os exercícios sejam feitos em pé ou sentados, conforme as condições de cada pessoa.
Desafios urbanos e sociais
Apesar dos avanços dentro do projeto, as participantes relatam dificuldades na rotina fora dele. Casos de desrespeito no transporte público são recorrentes, incluindo motoristas que se recusam a parar para idosos e cadeirantes ou que tratam passageiras de forma hostil. A precariedade da infraestrutura urbana — como iluminação pública defeituosa, calçadas mal conservadas e ausência de resposta nos canais de reclamação — também compromete a mobilidade e a segurança da população da terceira idade.
Outro problema crescente é o aumento da população em situação de rua no centro de Ipatinga. Moradoras relatam episódios de violência, tentativas de extorsão e até homicídios recentes na região, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas.
Sustentabilidade e expansão
O projeto também atua na área ambiental com coleta seletiva de materiais recicláveis para descarte adequado de pilhas e lâmpadas. As participantes planejam expandir a iniciativa para outros bairros de Ipatinga, incorporando educação ambiental às oficinas.
Para o futuro, o grupo organiza eventos como uma mostra cultural com trabalhos produzidos nas oficinas e o Encontro das Mulheres, a ser realizado no bairro Bela Vista. Passeios para a Pedra Mole e para a praia também estão na agenda, mas dependem de patrocínios para se concretizarem.
Mais do que oficinas e encontros, o Projeto Conexão Solidária se firma como um espaço de afeto, aprendizado e resistência para mulheres que transformam suas histórias em coletividade — ao mesmo tempo em que revelam, através de suas vivências, os desafios estruturais de Ipatinga.
Para saber mais, acesse: @almaipatinga


